lunedì, gennaio 20, 2014

White Flag

Esse texto talvez vá me doer mais do que eu espero, e talvez doa em você também, mas foi a única saída que eu vi para o que tem acontecido. 
Aqui, eu não vou apontar o dedo no seu rosto, quero dizer, não vou dissertar apenas sobre o que você faz. Esse texto é sobre você. É sobre mim. É sobre nós. 
Eu vou falar de você, e também de mim. Por isso, eu quero que você o leia com a mente aberta, para que possa me responder com a mente mais aberta ainda. 

O texto pode ser complexo, mas não pretendo dificultar. Encare esse texto como um pedido de paz, porque é o que ele é.

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20.01.2014

Já não aguento mais nossas constantes guerras. Estamos esquizofrênicos, viramos borderline em relação ao outro. Me perguntei o por que depois de nossas duas últimas brigas, sendo que estávamos tão bem. Infelizmente, não vi aonde começou a bola de neve, e acredito que você também não pôde ver. Daí, então, acreditei que seria um caminho razoável tentar te mostrar, por meio deste texto, aonde é que estamos errando. E errando sem a menor necessidade.  Como disse, esse texto fala de nós. Você erra comigo, eu erro com você. Erramos ao mesmo tempo, de diferentes maneiras - de micro-agressões à pauladas de barra de ferro.

Hoje, brigamos como se estivéssemos no maldito período abril-junho. Não parecíamos namorados. Isso faz com que medos voltem à tona na minha mente, ainda que eu saiba que você não está fazendo nada, e reafirmo: o medo vem, e não busco por ele. E o medo não é uma acusação. É puramente medo.

A briga que se deu hoje mostra algo que há tempos tento achar uma maneira não-agressiva de te mostrar: eu tenho receio de contestar coisas com você. Talvez você espere que eu sempre vá falar de forma amistosa, mas, às vezes, isso não é possível. E reluto, muito, a enfrentar você. Infelizmente, você não ouve. Infelizmente, também, nem sempre consigo ser sangue frio pra não entrar chutando a porta. Mas já aconteceu de eu ser recebido com pedras mesmo quando eu fui demonstrando tristeza, precisando de abrigo. Percebi: você não gosta de ser atingida, de forma alguma, e isso é deveras impossível. Da mesma forma, eu também não gosto, e é aí que mora um grande erro nosso: um não se dispõe a ouvir o outro, porque está mais preocupado em devolver a pedrada do outro com uma pedra ainda maior. E quão errado isso é de nossa parte, quão errado... é imensurável o tamanho do erro. Tão imensurável quanto o tamanho das pedras que jogamos.

Não me leve a mal, mas eu descobri uma coisa perigosa: você tem o exato mesmo jeito do seu pai ao tentar atingir. As palavras vem com peso difícil de medir, e elas não param de vir. E, o que agrava o seu jeito, tão igual ao dele: eu sou a exata mistura dos meus pais - ele (meu pai) calcula o peso da palavra, ela (minha mãe) procura atingir a pessoa da mesma forma que foi atingida (não necessariamente por palavras). Junta um eu calculadamente grosso, com um você imperdoável nas palavras. A desgraça tá feita.

Entre as várias coisas que descobri, também vi que somos irredutíveis, mas com o passar do tempo, você superou minha irredutibilidade - talvez seja a convivência. Eu não consigo, simplesmente, não consigo, te dizer nada. Independente de quem está errado, você reverte a culpa para mim, e eu passo a ser o incompreensivo-egoísta-infantil que não quer você tendo amigos. É injusto. Você sabe que eu não sou nenhum dos três, assim como eu sei que você não é uma pessoa ruim de conversar, nem de ouvir. É só o caso de se dispor a isso. Os dois precisam de mais paciência para com o outro.

Em meio às brigas, precisamos aprender juntos, e não eu ou você querer ensinar coisas. Estamos errados em fazer isso. Um vai irritar o outro ainda mais, e daí parte um desgaste desnecessário em nós, e uma raiva ainda maior, ainda mais horrível.

Agora, entrando nas nossas questões mais específicas: eu não quero que você não tenha amigos (se ficou confuso, quis dizer: eu quero que você tenha amigos). Mas te explico meu medo, infelizmente, com o passado: desde o Pedro, sempre tive muito medo de você com os outros. E tudo ficou pior depois do Frate. E não estou jogando isso na sua cara, eu apenas preciso destes casos para me explicar. Preciso explicar que me sinto inseguro, ainda que eu saiba que você não vai fazer nada. Acredito não ser mais este - não principalmente - o meu medo. O que tem tomado conta de mim é o receio do desinteresse. Eu vejo, sim, você mais interessada com os outros, seja verdade ou não. É o que chega até meu entender. Sempre vejo você conversando sobre mil assuntos com os outros, e comigo, poucas vezes é uma longa conversa sobre algo. Você não tem ideia do quanto eu gostaria de falar de música com você, de psicologia, de qualquer coisa que gere um assunto longo, mas isso não acontece. Quando quis te mostrar um simples vídeo de algo que eu achei engraçado, ouvi um estrondoso "eu não quero ver agora", que, confesso, fiz um esforço tremendo para não chorar na sua frente. Em meio a uma sensação mais do que tremenda de que eu não passo de uma pessoa sem graça, ouvir aquilo rasgou o meu peito. E, veja, isso não é sobre os outros: é sobre você comigo. E não tenho conseguido falar direito com você por esse motivo. Tenho me sentido sem resposta para muitas das vezes que a gente fala de algo, por ter a sensação de que não é muito importante o que eu tenho a dizer.

Acho importante ressaltar: esse texto não é para apontar o dedo em seu rosto. Eu estou com o coração pesado escrevendo isso, e cada palavra me dói, cada uma faz um furo no meu peito. Dói, e como dói.

Quanto à insegurança, outra coisa que me destruiu foi você esculhambar algo que eu acredito e me apoio para viver. Ouvir que Deus é um porco me deu a sensação de que você não se importava comigo. Você sabe, e mais do que ninguém, o quanto eu respeito e procurei entender as coisas que você acredita - ou considera importante. Agora, veja, não doeria se eu dissesse que "o conceito de que almas vão pra outro lugar e depois reencarnam é ridículo. Só faz merda nessa vida e quer outra... coisa de otário."? Isso não é nem de longe o que eu penso. Não acredito em reencarnação, mas acredito em alma, e você sabe. O que escrevi foi a escolha das piores palavras que encontrei para que você pudesse entender como seria se eu pensasse assim e dissesse isso.

Eu entendo que você tem posições diferentes, mas todas as vezes que eu estava agonizando de medo de te perder porque você não dava sinal de vida, era pra Deus que eu pedia para que você estivesse bem, para que eu pudesse te ver outra vez, e às vezes em meio a lágrimas. E eu te vi outra vez. Te abracei outra vez. Te amei mais um dia. Você pode pensar o que for, mas não poderia deixar de canto e não falar abertamente, pelo menos por amor a mim? Estou falando em forma de pedido, sabe? Ninguém quer que você se encontre espiritualmente mais do que eu, e vou respeitar seja lá qual for sua decisão, ainda que seja de religiões/conceitos que não me agradam. E eu entendi você ter dito que eu falo que ateus são uma bosta. Eu realmente acho isso, mas eu te expliquei: são uma bosta aqueles que vivem do anti-cristianismo, assim como você também sabe que eu odeio e acho outra bosta cristãos fanáticos, que consideram todos pecadores que vão queimar no inferno.

E me queimou por dentro você dizer que eu me arrependeria de coisas que eu digo. Aquilo foi uma das coisas mais frias que eu já ouvi de alguém, sem que tivesse sido uma ocasião grave. E sei também que já te chamei de insuportável quando não precisava, o que te rasgou por dentro também.

Nós devemos mais do que sinceras desculpas um para o outro. Nós devemos abrir nossa alma e nos reconciliarmos como o casal que eu quero que se mantenha intacto até o fim da minha vida. E não falo isso como um adolescente bobo de amor. Falo isso como o adulto que trabalha e tem planos.

Você me entende? Eu praticamente te imploro para que sim.

Nós erramos muito na falta de paciência e cuidado com as palavras com o outro. Eu não posso te agredir com as palavras, e você também não. Se for para agredirmos alguém com palavras, que sejam os outros que nos atingirem. Eu peço a nós muito mais sensibilidade com o outro. Peço que você seja mais vulnerável comigo, porque eu pretendo ser. E isso nos ajuda a ser menos sangue frio e coração de pedra com quem a gente mais ama. Meu amor por você é a coisa mais complexa do mundo. Eu já senti todas as coisas extremas possíveis por sua causa, por você. Assim como você, eu carrego em mim algo infinitamente maior do que eu. Eu troco noites de sono por você. Eu troco planos meus pra realizar os seus, só porque eu quero ver o melhor sorriso do mundo virado para mim por algo que eu fiz, por algo que eu sou pra você.

Peço de coração e de alma que não leve a mal nada do que eu escrevi, e também que converse em paz comigo. Eu estou no chão, segurando a bandeira branca. Eu quero que sejamos maiores do que já somos, mas com pouca ou nenhuma disposição para atacar o outro. E, claro, não vivo num conto de fadas em que nós nunca mais vamos brigar, mas eu almejo brigas menos pesadas. Menos doídas.

Saiba, por favor: você é o maior amor que eu já senti. Eu preciso de você comigo. Em paz.